A Arquidiocese de Fortaleza, com o apoio da Faculdade Católica de Fortaleza, realizou, nos dias 18 e 19 de agosto de 2026, o I Simpósio de Demonologia e Exorcismo. O encontro reuniu bispos, sacerdotes, exorcistas, teólogos, canonistas, psicólogos, médicos e outros interessados em uma reflexão sobre a demonologia à luz da Sagrada Escritura, da Teologia, do Magistério da Igreja e da experiência pastoral.
Realizado das 8h às 18h, o simpósio ocorreu exclusivamente na modalidade presencial, no Auditório Central da Faculdade Católica de Fortaleza, localizado na Rua Tenente Benévolo, 201, no Centro. A programação foi direcionada especialmente a sacerdotes, seminaristas, leigos envolvidos nos ministérios de oração, cura, libertação e aconselhamento, além de participantes interessados no tema.
A abertura foi conduzida pelo arcebispo de Fortaleza, Dom Gregório Paixão, OSB, que também presidiu a Santa Missa de abertura. Na sequência, o público acompanhou conferências apresentadas por especialistas brasileiros, que abordaram diferentes dimensões do discernimento e da atuação pastoral relacionadas ao exorcismo e às possíveis manifestações extraordinárias.
Diretrizes da Igreja e distinção entre oração e exorcismo
Entre os destaques do evento esteve a participação do padre Pedro Paulo Alexandre, exorcista da Arquidiocese de Florianópolis e presidente da Secretaria de Língua Portuguesa da Associação Internacional dos Exorcistas (AIE). Reconhecido por seu trabalho na formação de exorcistas, o sacerdote apresentou as Diretrizes sobre o Ministério dos Exorcismos, considerando o Ritual vigente da Igreja.
O padre também tratou de aspectos pastorais ligados à distinção entre oração de libertação e exorcismo. Em sua abordagem, destacou ainda a atuação dos ministros de oração diante de possíveis manifestações extraordinárias, tema que exige discernimento, responsabilidade e atenção aos procedimentos estabelecidos pela Igreja.
Demonologia nos Evangelhos e no estudo teológico
A programação contou igualmente com a participação de Dom André Vital, bispo da Diocese de Limoeiro do Norte e mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Sua reflexão concentrou-se na presença da demonologia nos Evangelhos e no ministério libertador de Cristo, relacionando o tema aos fundamentos bíblicos da ação de Jesus.
Outro conferencista foi o padre Antônio Gomes Macedo Júnior, presbítero da Arquidiocese de Fortaleza, mestre em Teologia pela Universidade de Navarra, auxiliar de exorcista e em processo de ingresso como sócio agregado da Associação Internacional dos Exorcistas. Sua palestra abordou a importância da demonologia no contexto dos estudos teológicos, ressaltando a necessidade de uma compreensão articulada entre a tradição da Igreja, a reflexão acadêmica e a prática pastoral.
Contribuições da psicologia e da medicina
O simpósio também abriu espaço para a contribuição de profissionais da área da saúde. Entre os participantes esteve o padre Fellinto de Oliveira Britto, exorcista da Diocese de Tianguá, psicólogo, diretor espiritual de seminário e reitor do Santuário Diocesano de Adoração Eucarística.
O Dr. Mauro Martins, médico psiquiatra e auxiliar de exorcista, abordou o discernimento entre patologias psiquiátricas e possíveis fenômenos espirituais. A presença de um especialista em psiquiatria reforçou a proposta multidisciplinar do encontro e a importância de considerar aspectos médicos e psicológicos na avaliação de situações apresentadas como manifestações extraordinárias.
Também participaram da programação os padres David Petar, exorcista da Diocese de Quixadá e membro da Associação Internacional dos Exorcistas, e Diogo Jairo Rebouças, exorcista da Diocese de Limoeiro do Norte, membro da AIE e pós-graduando em Angelologia e Demonologia.
Mesa-redonda encerrou a programação
O encerramento do simpósio contou com uma mesa-redonda formada pelos exorcistas participantes. O momento foi dedicado às perguntas do público e permitiu aprofundar temas apresentados ao longo dos dois dias de atividades.
Ao reunir representantes do episcopado, do clero, da teologia, da psicologia e da medicina, o I Simpósio de Demonologia e Exorcismo promoveu um espaço de estudo e diálogo sobre um assunto que, segundo a proposta do evento, deveria ser compreendido à luz da doutrina da Igreja, do discernimento pastoral e das contribuições das ciências humanas e da saúde.







