A ciência em busca da voz do Criador
A origem do universo é um tema que sempre fascinou a humanidade desde os tempos mais remotos. Em todos os povos e em todas as épocas, surgiram inúmeras tentativas de compreender de onde veio tudo o que conhecemos. A cosmologia, área da física que estuda a história e a evolução do universo, mostra-se constantemente otimista quanto às suas teorias. Contudo, até os dias de hoje, não conseguiu apresentar respostas absolutamente conclusivas sobre a causa primeira de todas as coisas. São inúmeros os questionamentos e as especulações, mas a ciência empírica somente pode afirmar aquilo que consegue provar. Sendo assim, muitos permanecem com as suas aflições filosóficas de causa e efeito, em busca da origem primordial. Como dizia Aristóteles, procuram o “motor imóvel”, aquele que causa, mas não é causado. Esta é uma inquietação que ainda hoje afeta as almas que não se deixaram vencer pelo amor de Deus.
A teoria da evolução, desenvolvida por Charles Darwin e apresentada na obra “A Origem das Espécies” (1859), serve de base para a maior parte dos estudos evolutivos, sugerindo que o homem e os primatas possuem um ancestral comum devido a semelhanças biológicas. No entanto, estudos mais recentes revelam dados fascinantes que transcendem a mera biologia. O homem e os animais apresentam diferenças físicas evidentes, mas compartilham uma extrema semelhança em seus códigos de DNA. O que os diferencia são os códigos subjacentes e a sua ordem cronológica, que definem o que será cada criatura e como funcionará.
A ciência demonstra, mais uma vez, o quanto Deus nos fez filhos especiais, pois não encontramos nenhum código genético igual a outro, provando assim o quão únicos somos para Ele. Não somos produtos de uma explosão aleatória ou de uma evolução cega; trazemos em nós a marca do nosso Pai.
A teoria do Big Bang, proposta em 1948, sugere que o universo surgiu após uma grande expansão cósmica, entre 10 e 20 bilhões de anos atrás. O termo refere-se a uma imensa liberação de energia que criou o espaço-tempo. Essa explicação sistemática da origem do universo é aceita pela maioria dos cientistas, mesmo que não haja uma explicação sobre o que antecedeu esse evento. As lacunas e interrogações nunca foram totalmente respondidas, mas a grande maioria ainda escolhe, por livre arbítrio, não acreditar naquele que outrora os criou.
Há um vazio não preenchido naqueles que buscam a primeira causa e são incapazes de enxergar a Verdade. Criam teorias que não chegam a conclusões, procuram mais respostas com base em premissas inconclusivas e, assim, tornam-se prisioneiros de suas próprias ideias. É o orgulho humano que impede compreender que a maior prova da existência de Deus reside no simples fato de nós existirmos. É lógico que, para tudo o que existe no presente, deve haver alguma “força” que o antecedeu e que o criou, algo maior do que as leis do espaço, do tempo e da vida. Nisso, todos concordamos. Infelizmente, muitos ainda não entendem que não há como definir o indefinível: ele foi, é e sempre será. A Sua luz nos alcança, se nos deixarmos alcançar.
Na Grécia Antiga, os filósofos atomistas refletiram sobre a composição da matéria. Segundo as suas hipóteses, se pegassem um pedaço de matéria e o cortassem em pedaços cada vez menores, chegariam a um momento em que ele seria indivisível, ao qual chamaram átomo. Desde então, a ciência evoluiu, e muitas novas partículas foram descobertas. Há cerca de um século, foi criado o primeiro acelerador de partículas, refinando ainda mais os conhecimentos alcançados. De forma simples e numa escala decrescente, a matéria é formada por moléculas que, por sua vez, são formadas por átomos, os quais possuem elétrons orbitando em torno de um núcleo constituído por prótons e nêutrons. Os prótons são compostos por quarks (a menor partícula conhecida na natureza) e outras partículas subatômicas.
Os quarks são tão diminutos que, em certas abordagens da física quântica e da teoria das cordas, são descritos mais como vibrações de energia do que como matéria sólida. Portanto, se nos basearmos neste ponto de vista científico, chegamos à conclusão de que todas as coisas que existem no universo tiveram origem a partir de uma vibração.
Em 2012, houve uma grande comoção na comunidade científica com a descoberta, pelo Grande Colisor de Hádrons, do Bóson de Higgs, popularmente conhecido como a “Partícula de Deus”. Foi uma grande vitória para a ciência, pois o campo de Higgs permeia todo o universo e atribui massa às partículas fundamentais, como os quarks. Apesar dessa descoberta, lacunas ainda permanecem. O bóson de Higgs não consegue incorporar a força da gravidade e ainda não é possível afirmar com certeza absoluta se é uma partícula elementar indivisível. Para vários desses enigmas, foram criadas teorias, mas nenhuma é definitiva. Ou seja, para a ciência, o bóson de Higgs representa a chave para explicar a origem da massa das partículas elementares da natureza. No entanto, nota-se uma certa frustração na comunidade científica após 2012. Havia a expectativa de que essa descoberta seria o início de outras grandes revelações para responder a perguntas anteriormente indagadas. Porém, até o momento, apesar da intensa busca, não houve nenhuma outra grande descoberta revolucionária na física de partículas.
É surpreendente que, hoje, ao compararmos a Teoria do Big Bang com a Doutrina da Criação, possamos encontrar um ponto de convergência maravilhoso: Deus criou o universo com a força da Sua Palavra. Porque Ele disse, e tudo foi feito; Ele ordenou, e tudo existiu. Tudo passou a existir pelo poder da Sua voz. “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e pelo sopro de sua boca, todo o seu exército… Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo existiu.” (Salmo 33, 6-9), carregamos em nós a herança genética de nosso Pai; por isso, é magnífico que a essência mais íntima do universo ressoe como uma vibração sonora, um eco do “Fiat” divino.
Como nós, o universo traz a marca Daquele que o criou. O livro do Gênesis relata essa verdade fundamental: “Deus disse: ‘Faça-se a luz’. E a luz foi feita” (Gênesis 1, 3). O Evangelho de São João aprofunda esse mistério ao revelar que essa Palavra é o próprio Cristo: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus… Tudo foi feito por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. (João 1, 1-3)
A doutrina cristã não nega a ciência, mas a eleva. O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que não há contradição entre a fé e a ciência verdadeira. “Embora a fé esteja acima da razão, jamais pode haver verdadeiro desacordo entre ambas: o mesmo Deus, que revela os mistérios e comunica a fé, lançou no espírito humano a luz da razão.” (CIC 159)
Tudo o que está fora do reconhecimento do Criador é mera especulação do desejo explícito do homem, que, por vezes, quer sair de sua condição de criatura para ser “deus”. A ação de Deus é inexplicável para qualquer um que não O aceite. A criação nunca será maior do que o seu Criador; tudo fora d’Ele se perde no vazio do nada, e é n’Ele que encontramos o sentido de tudo. O Catecismo nos recorda que “Deus não precisa de nada preexistente nem de qualquer ajuda para criar… Deus criou do nada”. (CIC 296)
Que o homem seja capaz de vencer a morte, que consiga formar uma célula ou uma partícula apenas com a força de sua palavra… e esse homem seria Deus! Deus é um mistério insondável. Nada d’Ele podemos explicar por completo; porém, tudo podemos entender no amor, desde que consigamos contemplar a Sua esplendorosa e principal obra de criação: o ser humano.
A grande verdade que nenhum homem consegue contestar é que a sua própria existência já comprova a existência do Criador. O ser humano pode manipular células, dividir átomos e descobrir bósons, mas jamais conseguirá fazer surgir algo do nada apenas com a vibração de suas palavras. Ele sempre se frustrará na busca do “ANTES” absoluto, que nunca conseguirá alcançar por meios puramente materiais.
Só em Deus encontramos a verdade do universo; só n’Ele somos completos e encontramos o início e o fim de todas as coisas, pois Ele é o Alfa e o Ômega. (Apocalipse 1, 8). Todos nós somos resultado do sopro Criador; fomos formados pela força da Sua Palavra.
Referências:
Bíblia Sagrada
Catecismo da Igreja Católica






